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Portugueses voltam ao Poker! Ou talvez não!

Portugueses voltam ao Poker! Ou talvez não!
Uma das questões do momento após o regresso da PokerStars ao mercado nacional. Jogadores portugueses estarão de volta ao Poker?
por Academia   |   comentários 0

Após a reabertura da PokerStars em Portugal, começam a aparecer as primeiras entrevistas e notícias sobre o tema. Em entrevista, Paulo Rebelo relembra a decisão dos sócios da ANAON:

«Recentemente, apelámos a um boicote aos jogos de póquer e apostas que sejam feitos apenas entre portugueses. Os jogos que apenas podem ser jogados por portugueses são menos interessantes, porque têm menos pessoas e menos prémios»

Algumas questões ficam no ar:
  • Irão os jogadores boicotar uma PokerStars apenas com liquidez nacional?
  • E tu? Vais boicotar o Poker online sem liquidez internacional?

Entrevista completa de Hugo Séneca da Exame Informática a Paulo Rebelo, na qualidade de Presidente da ANAON:

"O dia 28 de junho de 2015 ainda hoje é recordado com contornos de triste efeméride entre aficionados das apostas on-line. Foi nesse dia que a legislação que visava a liberalização das apostas on-line entrou em vigor e, numa situação de contrassenso, acabou por suspender, temporariamente, o uso de sites de apostas em Portugal. O motivo da suspensão era plausível: o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), que depende da Turismo de Portugal, tinha de aprovar um regulamento para as operações dos sites de apostas. O regulamento chegou a estar agendado para o final de 2015, mas só durante a primeira metade de 2016, começaram a surgir os primeiros casinos com licenças em Portugal. No póquer e nas bolsas de apostas on-line o panorama foi um pouco diferente. Desde 28 de junho até hoje, não houve um único site legal a operar em Portugal: Até que a PokerStars anunciou hoje o recomeço da atividade depois de receber a respetiva licença do SRIJ, durante a passada sexta-feira.
 
O póquer voltou – mas os aficionados não se dão por satisfeitos. «Recentemente, apelámos a um boicote aos jogos de póquer e apostas que sejam feitos apenas entre portugueses. Os jogos que apenas podem ser jogados por portugueses são menos interessantes, porque têm menos pessoas e menos prémios», explica Paulo Rebelo, especialista em apostas on-line que preside à Associação Nacional de Apostadores Online (ANAON).
 
O site do PokerStars congratula-se pelo regresso às operações em Portugal, mas, por enquanto, terá de limitar as operações a jogadores portugueses – pelo menos até ao SRIJ aplicar um segundo regulamento que permitirá que apostadores estrangeiros venham a Portugal jogar nos sites que aqui se encontram licenciados.
 
Em causa está a aplicação do conceito de “partilha de liquidez”. Segundo a gíria das casas de apostas, é a “liquidez partilhada” que permite a uma casa de apostas receber apostadores vindos do estrangeiro. O SRIJ colocou em consulta pública um regulamento que poderia abrir caminho à “partilha de liquidez”, mas ainda não enviou o documento para apreciação da Comissão Europeia.
 
«Prometeram-nos um regulamento que permitia a “partilha de liquidez”, mas a consulta pública acabou em maio e sabemos que o documento ainda não foi enviado para a Comissão Europeia», acrescenta Rui Barbosa, fundador e dirigente da ANAON, alegando um atraso no SRIJ na incorporação de sugestões de casas de apostas, jogadores e associações do segmento e na elaboração de uma versão final de regulamento.
 
Face ao atraso registado nas casas de apostas, as dúvidas voltam a adensar-se: «Não sabemos quantos jogadores estão interessados neste modelo (de jogos limitados a portugueses) e também não sabemos se este modelo é positivo», sublinha Rui Barbosa, fundador e dirigente da ANAON, justificando a decisão de apelar ao boicote das apostas on-line limitadas em Portugal.
 
Com a legislação que entrou em vigor em junho de 2015, apenas os sites licenciados à luz dos regulamentos aprovados pelo SRIJ podem operar em Portugal. Apesar de ter como destinatárias as das casas de apostas, a iniciativa legislativa acabou por ter o efeito prático de impedir todos os portugueses de fazer apostas on-line, uma vez que nenhum site detinha licença para operar em Portugal. A atribuição das primeiras licenças para os jogos de casino e de póquer (como o PokerStars que regressou ao ativo hoje) pode ajudar a transformar o atual cenário, não terá impedido os aficionados de enveredarem por práticas ilegais, que contemplam apostas em sites estrangeiros não licenciados.
 
No final de novembro, a revista Exame Informática deu a conhecer, numa reportagem, alguns jogadores que decidiram emigrar para países que já tinham a “partilha de liquidez”. Essa terá sido apenas a opção tomada pelos jogadores mais intensivos, que obtêm maiores margens de lucro. Muitos outros mantiveram-se em Portugal e não se terão coibido de jogar na Internet, apesar de a lei proibir os sites estrangeiros de explorar o póquer em Portugal.
 
Paulo Rebelo não tem dúvidas de que há uma grande percentagem de jogadores de póquer e bolsas de apostas que, nos últimos tempos, enveredou por sites especializados sem licença em Portugal: «Estamos num mercado on-line que é global. Não é muito difícil encontrar formas de um português dizer que é de outro país só para poder registar-se num site. As pessoas que jogam nesses sites acabam por deixar lá os impostos. É uma prática que a ANAON não defende, mas sabemos que há muita gente a fazê-lo».
 
No póquer, é possível organizar torneios com poucas dezenas de jogadores (uma mesa começa com oito a dez jogadores), mas nas bolsas de apostas, em que os jogadores apostam a probabilidade de uma ocorrência durante uma determinada ocorrência numa um jogo desportivo (probabilidade de a equipa X marcar golo nos próximos cinco minutos), o modelo de negócio funciona numa escala diferente. E por isso nenhuma casa especializada na bolsa de apostas terá ainda solicitado a licença junto do SRIJ. «É impossível lançar bolsas de apostas num país pequeno que limita as apostas a pessoas que estão nesse país», conclui Paulo Rebelo."

in Exame Infornática
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